Notícia

O papel das ferramentas disruptivas para fomentar a inovação na saúde pública

| Janaina Marsolla

Diante dos desafios estruturais e de gestão que marcam o setor da saúde no Brasil, o uso de ferramentas disruptivas em oficinas de ideação para promover a inovação tem ganhado destaque significativo. De plataformas digitais interativas a tecnologias baseadas em inteligência artificial, esses recursos vêm transformando práticas tradicionais e estimulando novas formas de pensar, criar e resolver problemas. Ao promover ambientes mais propícios à experimentação e à cocriação, essas ferramentas fortalecem a cultura inovadora e tem capacidade de tornar processos mais dinâmicos e colaborativos.

 

Quando incorporadas em oficinas, elas ampliam o engajamento dos participantes, aumentam a interatividade e promovem maior agilidade no desenvolvimento de ideias. Além disso, contribuem para uma abordagem mais centrada no usuário, permitindo a criação de soluções mais alinhadas às necessidades reais dos contextos em que serão aplicadas. 

 

Mas, afinal, o que são ferramentas disruptivas?

Trata-se de métodos, tecnologias ou abordagens inovadoras que rompem com os modelos tradicionais de pensar e executar tarefas. São úteis não apenas para estimular a criatividade e o pensamento “fora da caixa”, mas também facilitam a prototipação e testes rápidos, reduzindo riscos antes de grandes investimentos, e fortalecem a integração entre diferentes áreas.

 

No cenário da saúde pública no Brasil, a aplicação de ferramentas disruptivas representa uma oportunidade estratégica para transformar o modo como os projetos são desenvolvidos, testados e implementados. Isso porque facilitam a revisão de processos, integram equipes multidisciplinares e incentivam a construção colaborativa de soluções mais eficientes e centradas no paciente. Mais do que recursos tecnológicos, a aplicação dessas ferramentas representa uma mudança de mentalidade na gestão, facilitando processos de tomada de decisão pautados na inovação. 

 

Outro fator importante é que a relevância das ferramentas disruptivas está relacionada com a sua capacidade de transformar não apenas produtos e serviços gerados, mas também de auxiliar na identificação de oportunidades reais, incentivar a experimentação e a aprendizagem contínua dos participantes, além de fomentar um ambiente cada vez mais dinâmico e integrado.

 

In.spire SUS

 

Um exemplo concreto dessa abordagem é o lançamento do jogo In.spire SUS durante a Semana de Inovação 2024 na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), que representou um avanço importante na missão do InovaHC de fortalecer a cultura de inovação na gestão em saúde pública. Desenvolvido em apenas três meses pelo Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas da FMUSP, o jogo traduz de forma lúdica e prática os princípios de inovação, gestão eficiente e estratégia colaborativa. 

 

O In.spire SUS é uma ferramenta lúdica e estratégica, desenvolvida para capacitar e conectar os diversos atores do ecossistema de saúde (profissionais da ponta, gestores de serviços de saúde e outras áreas e usuários), contribuindo diretamente para a transformação dos ambientes de gestão compartilhada do SUS. Entre suas principais aplicações estão a capacitação, a sensibilização para temas de saúde digital, promovendo a conscientização sobre o uso de tecnologias no SUS e suas possibilidades; bem como a promoção do diálogo entre atores do ecossistema público e privado de saúde.

 

Essa proximidade permite que empresas do setor privado compreendam melhor os desafios enfrentados pelo SUS, abrindo espaço para parcerias mais alinhadas estrategicamente. Além disso, o jogo também pode ser utilizado como uma ferramenta de educação corporativa e treinamento para fortalecer as competências estratégicas de equipes assistenciais e administrativas.

 

“Ele ser colaborativo e realmente colaborativo, ou seja, a gente só ganharia se todos elevassem seu nível e isso fez com que nós desenvolvêssemos estratégias entre a gente.” – participante gestora do HCFMUSP

Em 2025 foram realizadas mais de 44 horas de jogos, com essa trajetória, o In.spire SUS se posiciona não apenas como uma ferramenta de capacitação, mas como um catalisador de transformação dentro do sistema público de saúde. Ao estimular o pensamento crítico, o trabalho em rede e a construção coletiva de soluções, o jogo promove uma cultura de inovação que ultrapassa a sala de aula e se reflete na prática cotidiana dos profissionais da rede.

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